Capim vaquero: economia no plantio e qualidade nutricional

27/07/2018 12:09

Por José Pinsetta

Engenheiro Agrônomo

Capim VaqueroAs forrageiras do gênero Cynodon como os Tiftons, Coast Cross, Grama estrela, entre outros, são velhas conhecidas dos pecuaristas. Apresentam excelentes características como: versatilidade para o pastejo ou para conservação na forma de feno, elevada produção de forragem com excelente qualidade nutricional. Dentre os capins deste gênero, se destaca o Capim Vaquero, pois pode ser propagado por sementes, o que representa uma vantagem econômica para o produtor na formação da pastagem.

O capim vaquero é da espécie Cynodon dactylon sendo indicado para bovinos, equinos, aves, suínos, caprinos e ovinos tanto em pastoreio intensivo, quanto para a fenação e produção de silagem. Para equinos é muito interessante a formação de piquetes e sistema SISCAL para suinocultura. Tem excelente tolerância a maioria das doenças que acometem os capins e boa adaptação à seca.

Origem e desenvolvimento do capim vaquero

O centro de origem dos capins do gênero Cynodon é o continente africano. Esses capins são interessantes pois tem dupla aptidão para produção de feno de excelente qualidade e também podem ser utilizados para pastejo direto.

O capim Vaquero fora desenvolvido nos EUA, especificamente no Estado da Flórida, adaptando-se muito bem tanto a regiões de clima quente, quanto regiões de clima temperado. O Vaquero é uma forrageira originada da mistura de sementes de cultivares de cynodons. Em sua primeira versão foram utilizados cultivares de cynodon como o Pyramid e o Mirage, chegando-se às misturas já consagradas: a CD 90160 (20%) + Bermuda grass (80%) e a CD 90160 (30%) + Bermuda grass (70%), esta última conhecida como Capim vaquero Tropical, que apresenta maior produção de massa fresca em nossas condições de clima, com excelente palatabilidade e resistência a veranicos.

Características da forrageira

O capim vaquero apresenta hábito de crescimento rasteiro, estolonífero e ciclo perene, ou seja, resiste por sucessivos ciclos de produção. Suas folhas são curtas e talos estreitos e a produção chega a 18 toneladas de massa verde/ha/ano. A resposta à adubação nitrogenada desta forrageira é excelente, devendo ser considerada no manejo da pastagem para alto rendimento. Sua qualidade nutritiva é elevada com uma capacidade de fornecer de 15 a 27% de proteína bruta em condições de boa adubação e manejo adequado do pastejo.

Formação e manejo da pastagem

Entre as grandes vantagens do capim Vaquero está a possibilidade de formar a pastagem por propagação de sementes, enquanto grande parte dos capins do gênero Cynodon são híbridos estéreis, o que faz com que sejam multiplicados obrigatoriamente por mudas. Esta atividade exige maior quantidade de mão de obra para áreas extensas. Assim, o custo de implantação do capim Vaquero é menor em relação aos demais capins do gênero.

Outro ponto positivo é o tempo menor para formar a pastagem. Nas áreas formadas com capim Vaquero, o pastejo inicial por ser feito a partir de 21 dias, em função da umidade do solo durante o desenvolvimento inicial. Enquanto que para o Tifton 85, por exemplo, o pastejo inicial ocorre depois de 50 dias do plantio.

O plantio é recomendado em regiões onde o regime de chuvas é considerado baixo, a partir de 400 mm/ano. No entanto, o ótimo de produção é obtido em regiões onde o volume de chuvas chega a 800 mm/ano, o que é encontrado na maioria das regiões do Brasil. O solo deve ter pH na faixa de 6,2 a 8 e saturação por bases a 60%. O plantio das sementes pode ser feito a lanço empregando-se 15 a 18 kg de sementes/ha, considerando o padrão incrustado, seguido de incorporação com grade leve com o objetivo de melhorar o contato das sementes com o solo e deixar a profundidade de 0,5 cm. Como é uma semente muito pequena, deve ser colocada em uma profundidade rasa.

Na adubação de plantio deve ser feita a correção da quantidade de fósforo após realizar análise de solo e aplicando-se adubos como Superfosfato Simples ou Superfosfato Triplo. O teor de potássio no solo deve ser corrigido sempre que este estiver menor que 1,2 mmmol/dm3, aplicando-se de 80 a 100 kg do adubo Cloreto de potássio (KCl). Para uma exploração intensiva da pastagem é importante fazer a correção do solo com micronutrientes, em especial com o Zinco.

Na adubação de manutenção, atentar para a reposição de nitrogênio (N) a cada pastejo rotacionado, fornecendo cerca de 25 kg/ha de N. O enxofre (S) também é muito importante para o desenvolvimento do Capim Vaquero, portanto deve ser reposto nas adubações de manutenção. Para isso, pode-se intercalar as adubações de cobertura com Uréia e Sulfato de amônio (que apresenta S na sua composição.

O capim Vaquero é versátil pois pode ser usado para sistemas de pastejo intensivo, contínuo e rotacionado. Além disso, é excelente para produção de feno graças a fácil perda de umidade pelas suas folhas e colmos, o que diminui o tempo de fenação e com alto valor nutricional. O capim Vaquero ainda é efetivo no controle da erosão pois proporciona ótima cobertura da superfície do solo. No manejo da pastagem, a altura de entrada é de 20 a 25 cm e saída do piquete de 06 a 10 cm. O período de descanso da pastagem para permitir uma boa rebrota e vigor das plantas, varia de 28 a 35 dias.

O capim Vaquero é bastante versátil pois pode ser usado para vários tipos de rebanhos. Tem a capacidade de suportar bem o pisoteio em pastos para bovinos de corte e de leite. Apresenta aptidão para equinos, graças a sua altura adequada de crescimento, permitindo um bom pastejo desta categoria animal. Além de ser uma ótima opção para produção de feno de elevada qualidade, volumoso muito utilizado para cavalos. Também é recomendado para caprinos e ovinos na forma de pastejo rotacionado ou como feno.

Produção do capim Vaquero

No sistema de manejo intensivo, com uso da irrigação por aspersão, estudos mostraram que é possível obter acúmulo de forragem de cerca de 100 kg de matéria seca/ha/dia. Esse volume de forrageira pode suportar em média 8 unidades animal/ha.

No entanto, o capim vaquero também produz de forma viável em sistema de sequeiro, porém exige um mínimo de 400 mm de chuva por ano, para isto, sendo recomendado o seu plantio em todo o Brasil.