Pastagens: Dicas de plantio, manejo e potencial produtivo

21/07/2017 12:20

A profundidade de plantio de sementes de forrageiras, seu manejo e potencial produtivo são fatores decisivos para o sucesso da formação de pastagens. As sementes das principais gramíneas usadas na alimentação bovina possuem quantidade limitada de reserva orgânica. É ela a responsável por “alimentar” os processos metabólicos da semente, da germinação à emergência, até o surgimento das primeiras folhas fotossinteticamente ativas, que vão possibilitar a independência das reservas.

Essa pequena quantidade de reservas obriga que o desenvolvimento primário da semente seja bastante rápido. Para que ela esteja em plenas condições de germinação, a profundidade de plantio é fundamental, pois será o contato entre a semente e o solo úmido que favorecerá a embebição. Caso a semente se encontre muito superficial, o contato com o solo será menor, dificultando a embebição, fazendo com que ela fique mais exposta às intempéries, como mudanças de temperatura, ventos e chuvas.

O segundo fator do qual depende a germinação é a presença de luz para que ela seja desencadeada, por isso, a profundidade de plantio não deve ultrapassar 5 cm. A necessidade de luz para a germinação de sementes de gramíneas é evidenciada pelos tratos culturais, pois quando o solo é revolvido por aração ou/e gradagem, as sementes dormentes em maior profundidade são expostas a luz, o que induz as mesmas a germinação e por consequência o surgimento de plântulas na área.

Profundidade de plantio e altura de entrada e saída

A profundidade de plantio adequada para os gêneros Panicum e Andropogon é de no máximo 2cm; enquanto que para o gênero Brachiaria, ela pode chegar até 4cm. As informações técnicas dos diversos materiais de cada um dos gêneros citados são encontradas na descrição de cada um deles em nosso site, juntamente com as devidas recomendações.

A forma e implementos utilizados, muitas vezes, não garantem a uniformidade quanto a profundidade de plantio desejada. Por isso, quando a semeadura é realizada a lanço, recomenda-se o uso de rolo compactador ou grade niveladora fechada após o plantio, lembrando que a semeadura deve ser feita na área previamente limpa, corrigida, arada, gradeada e nivelada, e preferencialmente após ao menos uma chuva, principalmente em solos mais arenosos, objetivando reduzir ainda mais os riscos com a cobertura excessiva das sementes. No entanto, a semeadura também pode ser realizada em linha pelo plantio em sulco, desde que o espaçamento entre linhas seja pequeno, possibilitando de 20 a 25 sementes por metro quadrado (quando sementes de valor cultural alto).

A altura correta de entrada e saída de animais no pasto para as principais forrageiras, segundo a Embrapa, são:

Gênero Brachiaria

• Marandu (entrada 40cm e saída 20cm);

• Xaraés (entrada 30cm e saída 15cm);

• Piatã (entrada 40cm e saída 20cm);

• Humidicola (entrada 20cm e saída 5cm).

Gênero Panicum

• Massai (entrada 60cm e saída 20cm);

• Mombaça (entrada 90cm e saída 30cm);

• Tanzânia (entrada 70cm e saída 30cm).

Gênero Cynodon

• Estrela (entrada 35cm e saída 15cm);

• Tifton 85 (entrada 25cm e saída 10cm);

• Vaquero (entrada 25 cm e saída 06 cm).

Gênero Andropogon

• Andropogon gayanus (entrada 50cm e saída 25cm).

É importante lembrar que o primeiro pastejo é diferente dos demais, pois seu propósito é auxiliar na formação da pastagem, estimulando o perfilhamento do capim, fazendo com que as touceiras se desenvolvam em diâmetro. Portanto, não se deve esperar que as plantas sementeiem. O correto é que a entrada de animais no primeiro pastejo ocorra quando 75% das plantas já tiverem atingido a altura de entrada. Além disso, o primeiro pastejo deve ser feito com animais jovens e não muito pesados, para promover uma seleção das melhores plantas, já que as mais sensíveis e menos enraizadas serão arrancadas por inteiro pelo gado, naturalmente.

Plantio-Manejo-Pastagens

Produtividade de cada forrageira

Na nutrição animal, é importante que o gado receba certa quantidade de proteína para seu desenvolvimento e crescimento, que depende de sua idade e objetivo produtivo. Nesse contexto, é importante conhecer o quanto cada forrageira pode oferecer de proteína e sua produtividade anual. Por exemplo, ainda citando as cultivares acima:

Gênero Brachiaria

• Marandu (produção anual de matéria seca (MS) de até 15 toneladas por hectare e proteína bruta (PB) entre 8 e 12%);

• Xaraés (produção de MS anual de até 25 toneladas por hectare e PB entre 8 e 10%);

• Piatã (produção anual de MS de 9,5 toneladas por hectare e PB de 11,5%);

• Humidicola (produção de MS anual entre 8 e 10 toneladas por hectare e PB entre 5 e 9%).

Gênero Panicum

• Massai (produção anual de MS de 20 toneladas por hectare e PB entre 5 e 11%);

• Mombaça (produção anual de MS até 40 toneladas por hectare e PB de 9 a 13% );

• Tanzânia (produção de MS anual de 30 toneladas por hectare e PB de 9 a 16%).

Gênero Andropogon

• Andropogon gayanus (MS anual de até 14 toneladas por hectare e PB entre 6 e 9%).

Por isso, a escolha da forrageira para a formação de um pasto é muito importante, pois cada cultivar apresenta peculiaridades que podem ser diferenciais para a saúde do gado, sem esquecer que a palatabilidade e digestibilidade devem ser avaliadas. Além desse fator, ainda deve-se lembrar que algumas cultivares não são ideais para o pastejo contínuo, tendo melhor aproveitamento no sistema de rotação de pasto.

Ficou com alguma dúvida sobre a profundidade de plantio e altura de entrada e saída adequadas? Escreva pra gente através dos comentários e até a próxima.