Sorgo como alternativa para a safrinha

29/03/2017 12:48

Características Sorgo

O sorgo entrou no Brasil com a vinda de escravos, mas só a partir de década de 60 houve desenvolvimento e valorização da cultura, quando o sistema privado iniciou o trabalho de produção e distribuição de sementes melhoradas. Desde esse período, o sorgo vem se consolidando como cultura alternativa ao milho para a safrinha no sistema se sucessão de culturas, principalmente na região do Cerrado.

Os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Triângulo Mineiro detém 90% da produção de sorgo granífero brasileiro.

Algumas características do sorgo

Na última década, houve um incremento significativo em área plantada, isso porque a cultura é tolerante a diversas condições de solo, desde os argilosos até levemente arenosos (apesar, é claro, de somente atingir seu potencial produtivo em solos bem preparados, adubados e com pH corrigido - não suportando solos mal drenados).

Além disso, o sorgo é uma planta bem adaptada a climas tropicais, devido sua tolerância ao déficit hídrico - ele tem a necessidade hídrica de 380 a 600mm por ciclo. No entanto, a média nacional de produtividade de grãos é de 3 toneladas por hectare, sendo que alguns híbridos podem obter produtividade de mais de 7 toneladas.

Em locais onde se consegue uma safrinha sem estresse hídrico, a economia em insumos pode não ser uma boa ideia, já que vale a pena investir em uma boa adubação para alcançar o índice produtivo máximo daquele híbrido.

O grão de sorgo atinge de 80 a 90% do preço do milho, sendo que o custo com sementes é de 75% a 90% do valor dele. Antes do plantio, deve-se ter bem definido o seu objetivo, pois a quantidade a ser semeada varia conforme a finalidade de uso: para o sorgo granífero são usadas de 6 a 8kg de sementes por hectare, para silagem de 5 a 7kg, para corte verde de 10 a 12kg e para pastejo, fenação e cobertura do solo de 15 a 20kg por hectare de sementes, com o mínimo de 80% de germinação.

A produção de matéria seca pode atingir até 20 toneladas por hectare, o equivalente a 50 toneladas de matéria verde por hectare, dependendo da fertilidade do solo e disponibilidade hídrica. Por isso, um manejo bem pensado é o ponto-chave para uma safrinha lucrativa.

Escolha de cultivares

A escolha da cultivar é etapa fundamental para se garantir altas produtividades; portanto, deve-se estudar bem as opções antes da tomada de decisão. É sempre recomendando que o produtor busque informações sobre o desempenho da cultivar escolhida na região que se pretende plantar. Quando não se tem informações concretas a respeito de um determinado híbrido, recomenda-se fazer o plantio de uma pequena área da propriedade no primeiro ano e aumentar-se gradativamente com os materiais novos.

O uso de híbridos simples se destacam quanto à preferência para plantio de sorgo safrinha, pois apresentam maior adaptabilidade e estabilidade de produção. Outras características devem ser observadas na escolha de um híbrido, como:

  • tolerância a períodos de déficit hídrico, sobretudo após o florescimento;
  • maior resistência ao acamamento e quebra;
  • ausência de taninos nos grãos;
  • porte de 1 a 1,5m com boa produção de massa residual;
  • ciclo precoce a médio;
  • resistência às principais doenças da região de plantio.

Devido a safrinha apresentar seus riscos de produção, é recomendado ao produtor utilizar uma combinação de cultivares. Para isso, deve-se plantar inicialmente os cultivares de ciclo tardio que apresentam maior potencial produtivo, seguido dos de ciclo precoce.

Semeadura

O sorgo por ser uma planta de origem nos trópicos, requer temperaturas altas para expressar todo seu potencial produtivo. Seu cultivo é recomendado para regiões onde a temperatura média seja superior a 20 °C, sendo o ideal, 33°C. É uma planta que precisa de pouca água para se desenvolver, fazendo dela mais resistente a seca, permitindo que seja semeada na maioria das regiões brasileiras. Desta forma, o sorgo pode ser semeado após a segunda metade de fevereiro ou até o fim do período chuvoso, sem grandes riscos ao seu desenvolvimento.

O sorgo se adapta muito bem em sistema de sucessão de culturas, podendo ser semeado logo após a colheita da soja. A profundidade de semeadura recomendada é de no máximo 4 cm. Em solos argilosos, a semente deve ser colocada a 3 cm, e em solos arenosos, não ultrapassar os 5 cm de profundidade. O espaçamento recomendado para plantio varia de 50 a 70 cm nas fileiras, colocando-se 15 a 18 sementes/m linear.

Adubação

No plantio, a adubação deve ser feita em função dos resultados da análise de solo. No geral, são aplicados cerca de 300 kg /ha de adubo formulado 4-20-20. A adubação de cobertura deve ser feita quando as plantas apresentarem cerca de 4 folhas totalmente expandidas ou cerca de 35 cm de altura, empregando-se 150 kg de sulfato de amônio/ha.

A colheita do sorgo safrinha

Colheita Sorgo SafrinhaQuanto à colheita, é importante lembrar que, depois de feita, a umidade dos grãos aumenta até 1,2%. Então, para os produtores que possuem o recurso de secagem artificial, ela pode ser feita com o grão de 14 a 17% de umidade.

Para quem não possui esse recurso, a colheita deve ser feita com umidade de 12%. A colheita com a finalidade de ensilagem deve ser realizada quando o teor de matéria seca estiver entre 30 a 35%. Esse momento de matéria seca é bem definido mediante análise laboratorial.

A colheita para fenação deve acontecer com cerca de 35 dias após a semeadura, e para corte verde, com 52 dias. Já para o uso do sorgo como cobertura morta no sistema de plantio direto, o corte deve ser feito quando a planta atingir 1,5m de altura. Vale lembrar que o sorgo é uma ótima opção como cobertura de solo, pois possui alta proporção de carbono e nitrogênio, e é exatamente isso que garante maior durabilidade da palhada.

Com todas essas características, o sorgo tem se mostrado cada dia mais como uma opção vantajosa e inovadora para uso na safrinha, já que possui alta conversão alimentar e também, por isto, tem sido adotado por muitos pecuaristas.

Mas para uma produção de qualidade, as especificidades da cultura devem ser observadas, sementes de boa procedência adquiridas e instruções de condução da cultura seguidas. Feito isso, o resultado só poderá ser positivo.

E então, ficou com alguma dúvida sobre a produção de sorgo para a safrinha? Escreva pra gente pelos comentários e até a próxima.