Capim BRS Zuri: Vantagens e Formação da Pastagem

06/07/2018 19:39

Por José Pinsetta

Engenheiro Agrônomo

Capim BRS ZuriA BRS Zuri é um cultivar da espécie Panicum maximum que se adapta muito bem às condições do Cerrado e da região Amazônica. Foi desenvolvida com o objetivo de apresentar maior produtividade, capacidade suporte, bom desempenho animal, resistência à cigarrinha das pastagens e resistência a doenças, principalmente no que se refere a doença fúngica causada pelo Bipolaris maydis.

Características da BRS Zuri

Dentre as suas características botânicas, é uma planta de porte ereto e alto, apresenta folhas verde escuras, compridas e arqueadas. Seus colmos são grossos com internódios de comprimento mediano. É um material que se adapta moderadamente ao encharcamento do solo, mas seu desenvolvimento é melhor em condições de solo drenado. É uma alternativa para uso na região Amazônica.

Implatação do BRS Zuri

Na implantação ou renovação de uma pastagem com BRS Zuri, o primeiro passo é um bom preparo do solo com aração e gradagem. O recomendado é aplicar metade da dose de calcário antes da aração e a outra metade do calcário depois da aração e antes da gradagem.

A adubação e calagem podem ser feitas de maneira semelhante, como as cultivares Tanzânia e Mombaça. A quantidade de nutrientes a ser aplicada, vai depender do resultado da análise de solo. De maneira geral, os valores recomendados são os seguintes:

  • Na fase de implantação da pastagem, a saturação por bases deve ser elevada para 45 a 50%. Este valor deve ser mantido durante a fase de produção da forrageira na camada de 0-20 cm.
  • As quantidades de fósforo (P) no solo devem ser aplicados de acordo com a quantidade de argila presente, mas as quantidades variam de 8 kg/ha de P para teores de argila maiores que 60% até 42 kg/ha de P para teores de argila menores que 15%. Os adubos utilizados podem ser o Superfosfato simples e o superfosfato triplo, por exemplo. A aplicação pode ser feita a lanço com equipamento adequado.
  • Os teores de potássio (K) devem ser mantidos acima de 100 kg/ha. Na fase de implantação, recomenda-se a aplicação de cerca de 50 kg/ha de nitrogênio.

Na fase de manutenção da pastagem, o Nitrogênio é o nutriente fundamental para garantir boa produtividade. As aplicações variam de 120 a 150 kg N/ha/ano, sendo distribuídas em aplicações durante o crescimento da planta. A forma de aplicação do nitrogênio é em cobertura e podem ser utilizados adubos como a uréia, ou sulfato de amônio. Ainda deve ser usado o fósforo na manutenção da pastagem. As quantidades vão depender dos níveis de produção requeridos, mas em geral, variam de 40 a 80 kg de P2O5/ha. Recomenda-se que os níveis de potássio não sejam inferiores a 50 mg/dm3 para garantir uma boa manutenção da pastagem.

Na semeadura, recomenda-se a aplicação de no mínimo 3 a 4 kg de SPV/ha, com o objetivo de se obter ao final um número total de 20 a 50 plantas/m2. A profundidade de semeadura é de 3 a 5 cm, fazendo a incorporação com grade niveladora após a semeadura a lanço. Ainda pode ser utilizado o sistema de semeadura em linha, regulando o maquinário para garantir o mesmo número final de plantas/m2.

Produtividade do BRS Zuri

Em termos de produção e qualidade de massa seca, é uma cultivar que apresenta elevada produtividade. Pode chegar a quase 22 t/ha/ano de matéria seca, o que representa 50% a mais que o capim Colonião que também é um Panicum. Grande parte desta produção ocorre no período das águas. A produção no período seco representa 15% do total anual. É uma gramínea de elevada qualidade nutricional, sendo o teor de proteína bruta de 7 a 15% incluindo folhas e colmos.

No que ser refere à produtividade animal, nas condições do cerrado brasileiro, a BRS Zuri, permitiu uma produtividade de 175 kg de peso vivo/ha na seca enquanto que nas águas foi de 511 kg de peso vivo/ha. Este valores representam uma produtividade 10% maior que a cv. Mombaça.

Resistência às pragas

A BRS Zuri possui resistência às principais cigarrinhas das pastagens. É resistente à Notozuia entreriana, Deois flavopicta e Mahanarva fimbriolata. Essas pragas se alimentam da seiva da planta e causam muitos danos às pastagens, prejudicando o desenvolvimento e produção. O controle das mesmas é difícil em grandes áreas, por isso o ideal é optar por cultivares resistentes. Esta cultivar também apresenta elevada resistência à mancha das folhas, causada pelo fungo Bipolaris maydis, uma doença que compromete a produtividade da forrageira.

Para o manejo da pastagem, é recomendado o sistema de pastejo rotacionado. A altura de entrada dos animais deve ser de 70-75 cm de altura e saída de 30-35 cm. A pastagem precisa ser bem manejada para garantir um bom desenvolvimento de colmos, permitindo assim uma boa manutenção do pasto e bons níveis de produção animal.

Portanto, o Panicum maximum BRS Zuri, é uma forrageira com ótimas características de produtividade, resistência a pragas e doenças, boa qualidade nutritiva e que se adapta bem às condições de clima e solo do cerrado e da Amazônia.