Vale a pena investir em sementes de milho transgênico?

28/07/2017 11:41

Para falar sobre milho transgênico, vamos começar do início! Transgênicos são organismos geneticamente modificados. E o que é isso? Segundo a Lei 11.105/2005, que trata sobre esse assunto, organismos geneticamente modificados (OGM) são aqueles cujo material genético (DNA ou RNA) tenha sido alterado por qualquer técnica da engenharia genética.

Os tipos de milho transgênico

De forma resumida, existem basicamente 2 tecnologias de maior importância que envolve o mercado de milho transgênico. Sendo a tecnologia Bt que deu início e destaque aos transgênicos no Brasi.

Milho Bt

Ele possui, agregado em seu DNA, o gene de uma bactéria chamada Bacillus thuringiensis (Bt), que produz uma toxina de ação inseticida e atua, principalmente, em insetos da família Lepidóptera (lagartas). Em geral, o Bt controla a lagarta-do-cartucho do milho, a lagarta-da-espiga do milho (e a broca da cana-de-açúcar) e lagarta-elasmo. Para que ele apresente atividade, a toxina deve ser ingerida pelas pragas; por isso, ainda assim, há alguns sintomas nas plantas do ataque das pragas, só que em quantidade mínima.

É preciso ser dito que o milho Bt apresenta duas especificidades que são de responsabilidade do produtor. A primeira é a área de refúgio, na qual 10% da área de Bt deve ser de milho “não Bt”, e é recomendado que esse segundo seja de mesmo porte e ciclo do primeiro.

O milho convencional não deve estar a mais de 800 metros do Bt, e se possível, é melhor plantá-lo entre faixas alternadas. O único beneficiado desse cuidado é o próprio produtor, já que esse manejo faz com que o surgimento de resistência seja dificultado, pois diminui a pressão de seleção.

A outra especificidade é referente à convivência com os outros tipos de milho sem que haja cruzamentos indesejados. Esse requisito se chama coexistência, pode ser empregado juntamente com a área de refúgio, e exige uma bordadura de dez linhas de milho convencional cercando o Bt (que também funciona como área de refúgio), ou, então, de uma distância de 100 metros da lavoura de milho convencional vizinha.

Milho RR

Milho TransgênicoA segunda tecnologia muito usada no mercado é a que confere ao milho resistencia ao glifosato ou glufosinato de amônio, comumente chamado de milho RR, por conta da tecnologia Roundup Ready. Atualmente, são muitas tecnologias nesse sentido disponíveis no mercado, os chamados eventos. Essas plantas resistentes ao glifosato auxiliam no controle de plantas daninhas, pois ele possui um amplo espectro de ação, sendo indicado para reduzir o banco de sementes em áreas muito infestadas.

No entanto, são necessários alguns cuidados quando se faz a sucessão com a cultura da soja, pois o milho tiguera (remanescente do cultivo anterior, quando as sementes de milho brotam no meio da soja) é tomado como uma planta daninha para a cultura da soja e o glifosato não irá controlá-lo, já que ele é resistente a esse herbicida.

Atualmente é muito comum a utilização de hibridos transgênicos que possuem as duas tecnologias, Bt e RR, em seu DNA. Evidenciado como um produto completo, observa-se a redução no uso de inseticidas e maior facilidade de manejo da cultura, promovendo tanto o plantio tanto convencional, quanto em sistema de plantio direto otimizado, onde outras alternativas são possibilitadas. Vale lembrar, que quanto mais tecnologia é usada, melhor deve ser o manejo do ponto de vista técnico.

No caso do cultivo do milho transgênico, é necessário repensar tudo o que estiver relacionado ao manejo da cultura, principalmente no que se refere aos produtos (defensivos) utilizados. O preço do saco das sementes que apresentam essa tecnologia é, de fato, mais elevado, mas deve-se levar em consideração o novo custo de produção o qual não envolverá mais aplicações de inseticidas antes obrigatórios, além de facilitar de forma antes inimaginável o controle das ervas daninhas, já que o glifosato, conforme a tecnologia adquirida, pode ser aplicado em área total agora sem medo de atingir o milho.

Além disso, no momento da compra das sementes deve-se verificar se a tecnologia é aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Atualmente, os eventos mais comuns são o PRO, PRO2, Power Core, YieldGard, RoundUp Ready, MON, Viptera e etc. Esse número não para de crescer, pois novas tecnologias estão sendo lançadas e a pesquisa em inovações para facilitar a produção agrícola são incessantes.

Vale a pena investir em sementes de milho transgênico?

Ao plantar milho transgênico, há investimento em tecnologia, por isso não se pode dispensar o manejo adequado da cultura, levando-se em conta o preparo adequado da área, correção de solo, adubação, aplicação de defensivos específicos, manejo da irrigação, assistência técnica e época de plantio correta para que ele expresse seu potencial produtivo, retornando o que foi investido e gerando lucro. Ao adquirir a semente de milho transgênico, é importante seguir todas as recomendações para se ter sucesso no investimento.

Assim sendo, vale a pena, sim, investir em milho transgênico, pois ele reduz as aplicações de defensivos, diminui gastos com combustível e a compactação do solo, além de possuir um potencial produtivo muito maior, justificando seu preço.

E você, costuma investir em sementes de milho transgênico? Ficou com alguma dúvida sobre o custo-benefício dessa tecnologia? Escreva pra gente pelos comentários!