Palicourea marcgravii: O cafezinho mata e não há antídoto!

10/08/2017 11:01

Cafezinho Erva Palicourea MarcgraviiAs plantas tóxicas são aquelas que uma vez introduzidas no organismo dos animais, causam danos ao seu desenvolvimento ou levam à morte. Existem muitos tipos de plantas tóxicas encontradas em todas as regiões do país. Devido ao fato do Brasil ser um grande produtor de animais a pasto, a ocorrência de intoxicações por essas plantas é bastante frequente. Os prejuízos causados por essas plantas vão desde a redução da produtividade dos animais, infertilidade até a morte.

Neste contexto, uma série de plantas tóxicas já foram identificadas, conhecidas por levar os animais ao baixo desempenho produtivo e muitas vezes à perdas de animais do rebanho. Elas podem ser divididas em 3 categorias:

a) plantas que causam mortalidade aguda;

b) plantas que causam mortalidade após exposição crônica (prolongada);

c) plantas que afetam o desempenho dos animais.

Dentre as plantas tóxicas, podemos citar algumas de maior ocorrência no Brasil, como a Palicourea marcgravii, popularmente conhecida como “Cafezinho” ou outras como a Pteriduim aquilinum (Samambaia), Asclepias curassavica (Oficial de sala), Sida carpinifolia (Guanxuma), Senecio brasiliensis (Maria Mole), Echium plantaginium (Lingua de vaca), etc.

No entanto, o Cafezinho destaca-se pela sua ocorrência na maior parte das regiões do Brasil, tendo boa aceitação pelos animais e podendo ser tóxica mesmo se ingerida em pequenas quantidades. Esta planta faz parte da família Rubiaceae, a mesma do café arábica e possui vários nomes populares como “Erva de rato”, “café bravo”, “Erva café”, “vick”.

Características da Palicourea marcgravii

Palicourea marcgravii é encontrada na região Norte, Nordeste, Centro Oeste e Sudeste, com exceção da região Sul. Se desenvolve bem em áreas com bom regime de chuvas. Prefere áreas de meia sombra, próximas a matas, capoeiras, mas também pode se desenvolver bem em pastagens abertas com alta exposição ao sol.

Tem como características ser um arbusto de porte alto, podendo chegar até 3 m de altura. O caule é lenhoso e possui galhos em formato cilíndrico que se quebram facilmente e são lisos. Suas folhas tem formato de lança e são de cor verde escuro, com tamanho variando de 5 a 10 cm de comprimento. As folhas quando quebradas exalam cheiro semelhante ao Bálsamo bengué, popularmente conhecido como “Vick”, sendo esta uma das formas mais fáceis de identificar esta planta. As flores tem coloração que varia do vermelho ao alaranjado.

Menicanismos de ação

Seu efeito tóxico aos animais é devido à presença de uma substância chamada ácido monofluoroacético. É um ácido presente em todas as partes da planta; porém, a maior parte se encontra nas folhas e sementes. Uma vez ingerido, este ácido bloqueia os processos de armazenamento de energia e respiração celular. A ingestão de cerca de 1g da planta/kg de peso vivo já é capaz de provocar a morte do animal em até 2h após seu consumo. Por isso, é considerada uma das toxinas com menor concentração capaz de levar a morte.

Entre as espécies de animais, os bovinos são mais suscetíveis à intoxicação do que os bubalinos. Mas também já foram relatados casos de intoxicação em ovinos, caprinos, coelhos, sendo os animais ruminantes os mais suscetíveis.

Sintomas de intoxicação

É muito difícil observar sintomas nos animais, uma vez que a morte ocorre muito rapidamente após o animal ter ingerido a planta. No entanto, foram observados animais com respiração ofegante, desequilíbrio dos membros posteriores, respiração acelerada, queda do animal, tremores musculares, realização de movimentos de pedalagem e mugidos. A morte ocorre ainda mais rapidamente quando o animal é submetido a exercícios.

Uma vez o animal intoxicado, o tratamento não é efetivo devido à rápida evolução dos sintomas. Portanto, até o momento, não há antídoto para as intoxicações de “Cafézinho”.

Um dos principais fatores para o consumo deste tipo de planta tóxica é a escassez de forrageiras, principalmente na época seca do ano, aliado ao fator de alta palatabilidade que apresenta o “Cafézinho”.

Como evitar a intoxicação dos animais?

Algumas medidas são recomendadas para evitar a intoxicação dos animais: evitar a entrada de animais em áreas de matas ou capoeiras, onde a presença do “Cafezinho” é característica; cercar as áreas onde é constatada a presença da planta. Em áreas de formação de pastagem, o crescimento do “Cafezinho” pode ser bastante vigoroso e propiciado pela presença de banco de sementes na área. Por isso, deve-se ter bastante atenção à presença desta plantas e realizar o controle por meio do arranquio ou com o uso de herbicidas antes da entrada dos animais para pastejo. A roçagem por si só não é suficiente pois pode ocorrer a rebrota da planta.

Assim sendo, o “Cafezinho” é a planta tóxica de maior distribuição no Brasil e responsável pela morte de animais em rebanhos criados a pasto. Devido ao fato de provocar uma intoxicação aguda, não possui um tratamento que seja efetivo para evitar a morte do animal; portanto, a melhor maneira de se evitar a intoxicação é pela erradicação das plantas nas pastagens, principalmente em novas formações, onde o surgimento do “Cafezinho” é mais provável, e mantendo os animais longe das margens de matas, onde esta erva também é bastante frequente.